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UCMI Investigação de campo em São Tomé e Príncipe explora a forma como os mosquitos transmissores da malária se adaptam ao seu ambiente

 

As investigações no terreno estão a proporcionar novos conhecimentos sobre a forma como o principal vetor da malária em São Tomé e Príncipe se adapta a diferentes ambientes e poderão ajudar a aprofundar a nossa compreensão das populações de mosquitos em todo o Golfo da Guiné.

Cientistas da Iniciativa contra a Malária da Universidade da Califórnia (UCMI) deslocaram-se recentemente a São Tomé e Príncipe para avançar em duas áreas complementares de investigação. A primeira analisa a tolerância à salinidade das larvas de Anopheles coluzzii e a segunda visa continuar a construir uma referência genética detalhada para as populações de Anopheles coluzzii encontradas nas ilhas do Golfo da Guiné. Em conjunto, os estudos poderão ajudar os investigadores a compreender melhor como as populações de mosquitos se adaptam aos seus ambientes, diferem geneticamente e se deslocam entre locais.

 
Quanto sal consegue o Anopheles coluzzii tolerar?

O trabalho de campo para o primeiro estudo foi realizado em toda a ilha de São Tomé. Embora as larvas de algumas espécies de mosquitos possam desenvolver-se em água salgada, as larvas de Anopheles coluzzii estão geralmente associadas a habitats de água doce e não são normalmente consideradas altamente tolerantes ao sal.

Para aprofundar esta investigação, a equipa de investigação recolheu larvas de mosquito em 23 locais espalhados por São Tomé, abrangendo tanto habitats de água doce como salinos. Os investigadores encontraram larvas de Anopheles coluzzii em locais com níveis de salinidade até 9 partes por mil, aproximadamente um quarto da concentração salina da água do mar.

A equipa de investigação realizou experiências controladas em laboratório para compreender melhor como as larvas reagem a diferentes níveis de salinidade e para avaliar a expressão genética quando expostas ao stress salino, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a forma como os mosquitos conseguem tolerar essas condições.

Estas descobertas poderão ajudar os investigadores a compreender melhor como o Anopheles coluzzii se adapta a diferentes ambientes. É importante compreender essa flexibilidade, uma vez que as condições ambientais podem influenciar os locais onde os mosquitos transmissores da malária conseguem sobreviver e reproduzir-se.

 
Criação de uma referência genética para o Anopheles coluzzii

A segunda vertente da missão de campo centrou-se na recolha de mosquitos, com o objetivo de contribuir para a construção de um genoma de referência detalhado para as populações de Anopheles coluzzii no Golfo da Guiné.

Um genoma de referência é, essencialmente, um mapa genético detalhado que os investigadores podem utilizar como ponto de referência ao compararem populações de Anopheles coluzzii provenientes de várias ilhas do Golfo da Guiné.

Foram recolhidos mosquitos adultos em dois locais em São Tomé e em três locais no Príncipe, tendo sido cuidadosamente preservados para que os investigadores pudessem obter ADN de alta qualidade para sequenciação.

As amostras serão submetidas a um tipo de sequenciação de ADN capaz de ler longos trechos de material genético, ajudando os investigadores a construir uma imagem mais completa e detalhada do genoma do mosquito.

Uma vez desenvolvido, o genoma de referência permitirá aos investigadores comparar populações de mosquitos de diferentes locais e investigar questões como o seu nível de diversidade genética, a relação entre as populações, a forma como se podem estar a adaptar a diferentes ambientes e a forma como se podem estar a deslocar entre ilhas.